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JUVENTUS DA MOOCA VIRA ALVO DE INVESTIGAÇÃO POLICIAL POR DESVIOS DE DINHEIRO E TRAIÇÕES CONJUGAIS

  • apelicerdavilla
  • 17 de ago.
  • 5 min de leitura

Dirigentes do clube são investigados por desvio de dinheiro em apuração que também envolve disputa conjugal entre dois advogados.

Por: Alexandre D’avilla


O Juventus, clube centenário da cidade de São Paulo, virou alvo de investigações da Polícia Civil após acusações de desvios milionários de dinheiro, intimidações e traições matrimoniais. A investigação ganhou força após a venda do clube para uma SAF.

O clube da Mooca passava por dificuldades financeiras há anos, até que começou a receber valores milionários com a venda da SAF, assinada há dez meses, e também com um acordo firmado com a escola bilíngue Maple Bear, que adquiriu o direito de utilizar parte da sede do clube por 20 anos.

Durante o mês de julho, o presidente do clube, Tadeu Deradeli, e o presidente do Conselho Deliberativo, Carlos Eduardo Gomes Pedroso, passaram a ser investigados pela Polícia para apurar se parte dos lucros obtidos pelo clube teria sido desviada.

Tadeu negou as acusações, enquanto Carlos ainda não se manifestou sobre o caso.

Carlos Pedroso exerce a função de escrivão na Polícia Civil e, de acordo com as denúncias, utilizaria o cargo para ameaçar e perseguir adversários políticos. O inquérito está sendo conduzido pela Corregedoria da Polícia.

Além disso, há acusações de que Carlos exibiria armas de fogo durante reuniões e teria afastado seus opositores de forma arbitrária.

Carlos Eduardo Pedroso (à esquerda), presidente do Conselho do Juventus, e Tadeu Deradeli, presidente do clube — Foto: Reprodução 
Carlos Eduardo Pedroso (à esquerda), presidente do Conselho do Juventus, e Tadeu Deradeli, presidente do clube — Foto: Reprodução 

Durante as investigações, surgiram outros dois nomes centrais do escândalo: os advogados Luma Zaffarani e Guilherme Rodrigues, que até março eram casados.

Guilherme Rodrigues prestou depoimento à Polícia e forneceu informações, planilhas e comprovantes bancários que, segundo ele, apontariam seu envolvimento no caso junto de sua ex-mulher.

Em seu depoimento, o advogado confirmou sua participação nas negociações até março de 2026, quando descobriu que sua ex-esposa, Luma, estaria mantendo um relacionamento com o presidente do Conselho, Carlos Eduardo.

Uma amiga próxima do ex-casal deu uma declaração pública, registrada em cartório, sobre o suposto caso de infidelidade. Ela afirma ter ouvido de Luma que ela e Carlos realmente estavam juntos e planejavam retirar Guilherme das negociações. No mesmo depoimento, a testemunha também afirmou que Pedroso havia prometido negócios vantajosos.

Guilherme já vinha suspeitando de Luma desde o começo do ano, quando vizinhos relataram que sua esposa, com quem era casado havia mais de uma década, vinha chegando em casa de carona em um carro da mesma cor e modelo do veículo utilizado por Carlos. O advogado consultou as imagens das câmeras de segurança do clube e de sua residência e, segundo seu relato, confirmou o caso.

A separação foi realizada de forma nada amistosa, com acusações de violência de ambos os lados. Luma acusou o ex-marido de violência doméstica e conseguiu uma medida protetiva contra Guilherme.

Segundo as denúncias apresentadas à Polícia, quantias milionárias teriam sido desviadas dos cofres do clube por meio de pagamentos de honorários. Um dos negócios detalhados nas denúncias foi a venda da SAF.

O clube deveria ter recebido R$ 20 milhões pela venda, dos quais R$ 2 milhões deveriam ser repassados a Luma e Guilherme. O valor seria repartido em três partes iguais: uma para Carlos Eduardo, uma para Tadeu Deradeli e outra para os advogados. Além disso, segundo o depoimento, Pedroso teria afirmado que repassaria parte de seus ganhos a uma quarta pessoa, que não foi identificada.

A Polícia recebeu comprovantes de saques e depósitos que, segundo Guilherme, comprovariam sua versão, além de uma planilha detalhando os repasses.

Segundo o advogado, no dia 1º de dezembro de 2025, o Juventus realizou o primeiro pagamento de honorários, no valor de R$ 900 mil. Desse montante, R$ 341,2 mil teriam sido repassados em espécie para Carlos Eduardo, enquanto Tadeu recebeu um depósito de R$ 224 mil. Outro pagamento relacionado à SAF foi realizado em maio de 2026, no valor de R$ 350 mil, mas Guilherme ficou fora da divisão por já ter encerrado seu relacionamento com Luma.

Luma nega todas as acusações feitas pelo ex-marido, afirmando que nunca o traiu e também negando a existência da divisão de honorários.

“Guilherme é meu ex-marido. A gente teve um fim de relacionamento complicado, e ele fazia saques de valores altos, chegou a colocar no processo judicial. Mas eu não tenho conhecimento de investigação da Polícia Civil. Ele chegou a disseminar notícias de que fazia repasses, não eu. Tenho certeza de que não há comprovante meu. Eu nunca fiz repasse aos presidentes do clube ou do Conselho Deliberativo”, afirmou a advogada.

O denunciante também detalhou como teria sido feito o repasse de dinheiro relacionado ao contrato com a escola Maple Bear. Segundo Guilherme, no mês de abril houve um adiantamento por parte da empresa no valor de R$ 500 mil, dos R$ 3 milhões previstos no contrato. Guilherme teria ficado com R$ 25 mil desse valor, enquanto R$ 106 mil teriam sido destinados ao presidente Tadeu Deradeli e os R$ 369 mil restantes teriam ficado com Luma e Carlos.

Outro caso investigado pela Polícia Civil é o contrato de concessão do estacionamento do Clube Juventus, firmado em outubro de 2025.

O conselheiro Eduardo Pinto Ferreira prestou depoimento à Polícia, afirmando que estaria sofrendo intimidações por parte de Carlos Eduardo após descobrir uma suposta irregularidade no acordo.

A administração do local está sob controle da Retaguarda Assessoria Empresarial Ltda., que passou a ter como objeto social o “estacionamento de veículos” dois meses antes de fechar o contrato com o Juventus. Segundo o denunciante, não houve licitação nem aprovação do Conselho antes da assinatura do contrato.

A proprietária da empresa é Lilia Aparecida Marinho Rangel, esposa de Leandro Resende Rangel, superior hierárquico de Carlos na Polícia.

Eduardo teria recebido um Pix no valor de R$ 17 mil, no dia 31 de dezembro, em nome da empresa Retaguarda. Logo depois, Carlos lhe enviou uma mensagem dizendo: “Veja depois os documentos para você”. Ao ser questionado sobre a origem do presente, Carlos teria respondido: “Falamos no pessoal”.

Troca de mensagens entre conselheiro Eduardo Ferreira e o presidente do Conselho do Juventus, Carlos Eduardo Pedroso — Foto: Reprodução 
Troca de mensagens entre conselheiro Eduardo Ferreira e o presidente do Conselho do Juventus, Carlos Eduardo Pedroso — Foto: Reprodução 

Eduardo suspeita de que o pagamento tenha sido uma forma de silenciá-lo. Questionada sobre a origem do Pix, Lilia não respondeu e, posteriormente, divulgou uma nota na qual afirmou:

“A terceirização do estacionamento foi feita dentro das regras e padrões de mercado, inclusive com retorno para o clube maior do que muitas operações, desonerando o clube de todos os custos da operação.”

O Clube Atlético Juventus também divulgou uma nota sobre as acusações. No comunicado, o clube informa que não irá comentar decisões que tramitam sob sigilo perante as autoridades competentes. Confira:

“O Clube Atlético Juventus informa que não comenta o mérito de questões que tramitam em sigilo perante as autoridades competentes.

O Juventus ressalta que questões de foro íntimo, estritamente pessoais, de indivíduos que pertencem ao seu quadro associativo, trabalham, prestam ou prestaram serviços ao clube não se confundem com sua atuação, gestão e atividades institucionais. Portanto, não podem nem devem ser utilizadas para atribuir à instituição qualquer responsabilidade ou posicionamento.

Com mais de um século de história e uma trajetória profundamente ligada ao esporte e à cidade de São Paulo, o Juventus preserva o compromisso de conduzir sua atuação institucional com responsabilidade, transparência e respeito à sua comunidade e tradição.”


Fontes: GE e Terra


 
 
 

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